Indústria do cimento apresenta retração em fevereiro
As vendas de cimento em fevereiro de 2026 totalizaram 4,9 milhões de toneladas, registrando uma queda de 5,1% em relação ao mesmo mês de 2025, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). No acumulado do primeiro bimestre, o setor apresentou uma retração de 1,9% frente ao ano passado.
O resultado negativo no fechamento mensal deve-se principalmente a dois fatores: o calendário reduzido e o alto volume de chuva, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Por outro lado, o Norte e o Nordeste permanecem com forte desempenho.
Contudo, a demanda segue aquecida: a comercialização por dia útil subiu 4,5%, atingindo 244,1 mil toneladas. O dado indica que, apesar dos entraves climáticos, o consumo de cimento por dia trabalhado superou o desempenho do ano anterior.
O setor ainda encontra suporte no vigor do mercado imobiliário e nos indicadores de emprego e renda. As vendas e lançamentos de imóveis alcançaram recordes de 5,4% e 10,6% em 2025, respectivamente, com destaque para o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que hoje representa 52% dos lançamentos no país. Esse cenário é reforçado por um mercado de trabalho com desemprego que fechou o ano em 5,1%, o menor nível desde 2012 e uma massa salarial recorde. No entanto, a taxa Selic mantida em 15% ao ano e o endividamento das famílias surgem como desafios ao crédito, evidenciados pela retração nos financiamentos para construção.
No cenário internacional, o conflito no Oriente Médio traz volatilidade no curto prazo e amplia o ambiente de incerteza nos mercados globais, o que pode representar desafios futuros para setores intensivos em energia. Nesse contexto, o coprocessamento ganha ainda mais relevância ao contribuir para a diversificação da matriz energética do setor, ampliando a previsibilidade no suprimento energético e promovendo simultaneamente a redução de emissões. No Brasil, essa tecnologia já alcança cerca de 30% de substituição térmica, tendo evitado a emissão de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de CO₂ no último ano. Para apoiar a meta de neutralidade climática, a ABCP e o SNIC lançaram a Ferramenta de Mapeamento de Resíduos de Biomassa (FMRB), plataforma integrada ao Programa Euroclima que identifica potencial energético em 2,5 mil municípios brasileiros.
Além da eficiência energética, o setor impulsiona a habitação social via parcerias estratégicas, como a cooperação entre ABCP e CDHU no Litoral Norte paulista. Ao qualificar a cadeia produtiva para a industrialização de campo, a iniciativa permite substituir métodos convencionais por um modelo de alta produtividade que reduz prazos e desperdícios. O resultado é uma estrutura mais durável, estabelecendo um novo padrão de excelência e sustentabilidade para o interesse social.



