Cimento: vendas têm leve retração em maio
As vendas de cimento em maio de 2026 totalizaram 5,7 milhões de toneladas, registrando uma queda de 1,0% em relação ao mesmo mês de 2025, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, o setor apresentou um crescimento de 1,2% frente ao mesmo período do ano passado. Em maio, o volume de vendas de cimento por dia útil, um indicador-chave de performance, foi de 254 mil toneladas, alta de 4,4% em comparação ao mês de abril e de 3,5% ante o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano (jan-maio), o desempenho registra elevação de 2,2%.
Essa sustentação tem pilares bem definidos. O dinamismo do mercado imobiliário, impulsionado pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), continua sendo o principal motor da demanda. No primeiro trimestre, as vendas do setor imobiliário subiram 4,1%, com o MCMV registrando um salto de 10% e passando a representar 49% dos lançamentos. O aporte proveniente do Pré-sal permitiu expandir a meta para 3 milhões de moradias contratadas até o fim de 2026, além da ampliação do programa de reformas, com crédito de até R$ 50 mil e juros reduzidos. Somam-se a isso a aceleração de projetos rodoviários em pavimento rígido e novas tecnologias em concreto, que abrem novas frentes de consumo para o insumo.
A nível macroeconômico, o mercado de trabalho também oferece suporte: a taxa de desemprego fechou abril em 5,8%, o menor patamar para o mês desde 2012, preservando a estabilidade da massa salarial perto do seu recorde histórico.
No entanto, as janelas de oportunidade dividem espaço com um cenário de custos e restrições financeiras alarmantes. A confiança da construção civil ficou estável em maio, mas o segmento de edificações já demonstra pessimismo diante da escassez de mão de obra e da inflação de insumos. A instabilidade geopolítica no Oriente Médio gerou pressões severas sobre os custos do petróleo e desarranjos na cadeia de suprimentos, forçando o mercado a elevar a projeção da taxa Selic para 13,50% ao final do ano. A geração de empregos formais em abril decepcionou, registrando o pior resultado para o mês desde 2021, e a confiança do consumidor recuou em maio.
As maiores barreiras, contudo, estão no bolso do cidadão e refletem diretamente no varejo de materiais de construção, que amargou uma queda de 4,9% em abril. O endividamento compromete hoje 49,8% da renda das famílias, e a inadimplência atingiu o recorde histórico de 83,3 milhões de brasileiros. Esse sufocamento do consumo foi severamente agravado pela explosão das apostas on-line (bets), que drenaram R$ 143,8 bilhões do comércio varejista nos últimos dois anos e empurraram 269 mil famílias para a inadimplência.
Para completar o quadro de preocupações, o setor acompanha com apreensão as diretrizes do Novo Desenrola, que estimula o uso de recursos do FGTS para a quitação de dívidas comuns. Para a indústria, a medida desvia a função primordial do fundo, estruturado originalmente para financiar a habitação e o saneamento.
Por um lado, é inegável que o aquecimento no mercado de trabalho e as atualizações nos programas habitacionais são alicerces para os resultados positivos. Contudo, lidamos com um cenário negativo devido a uma menor queda da taxa Selic e à alta na inflação, acentuado pela instabilidade no Oriente Médio.
A indústria acompanha com atenção a votação do projeto que propõe o fim da jornada na escala 6×1, uma vez que essa possível alteração trabalhista tem potencial para onerar fortemente os custos de operação da indústria.



