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28/05/2012IMPRENSA, Noticias, Sul

Conferência internacional discute evolução da alvenaria estrutural

Usada há milênios, a alvenaria estrutural atingiu níveis de cálculo, execução e controle de uma tecnologia versátil e racionalizada. Inicialmente construída com tijolos de argila ou pedra, era uma técnica baseada em métodos empíricos. Dava origem a construções pesadas, de grandes espessuras e rígidas, que têm entre seus exemplos mais expressivos a pirâmide de Queóps (citada como uma das criações mais espetaculares e geniais da história da arquitetura) e o Farol de Alexandria (erguido na Ilha de Faros, no Egito, com 150 metros de altura, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo).

“Nos últimos 30 anos, a partir de extensos trabalhos de pesquisa, da imaginação de projetistas e da grande melhoria da qualidade dos materiais, a alvenaria estrutural conquistou maiores e mais visíveis avanços do que qualquer outra forma de estrutura usada na construção civil”, contextualiza o professor Humberto Roman, do Departamento de Engenharia Civil da UFSC, um dos coordenadores da 15ª Conferência Internacional de Alvenaria Estrutural, que será realizada de 3 a 6 de junho, em Florianópolis (SC).

Terremotos e explosões
Segundo Guilherme Aris Parsekian, do Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que compartilha a coordenação com a UFSC, o encontro acontece em países de expressão no desenvolvimento internacional da engenharia civil. Para obter o direito de ser sede, o Brasil competiu com Inglaterra, Alemanha e Portugal.

Barry Haseltnine, um dos responsáveis pela norma de alvenaria estrutural da União Europeia, está entre os conferencistas. Seu currículo destaca papel fundamental na retomada do uso de estruturas de alvenaria pela indústria da construção ao propor testes com explosões induzidas de gás, depois do acidente do edifício Ronan Point. A torre de 22 andares, localizada em Newham, leste de Londres (Inglaterra), sofreu um colapso parcial a partir de uma explosão desse tipo. A partir dos resultados, Barry Haseltnine participou da formulação de regras para evitar o colapso progressivo de edifícios, e de comitês para elaboração de normas para uso da alvenaria estrutural.

Outro conferencista, o professor Richard Klingner, da University of Texas (EUA), tem estudos para investigação analítica e experimental da resposta de estruturas à prova de terremotos. Ele participa de comissões técnicas dos Estados Unidos e outros países, incluindo o American Concrete Institute e a Sociedade Americana de Testes e Materiais.

Racionalização, produtividade e qualidade

De acordo com Humberto Roman, com o avanço tecnológico a alvenaria estrutural aliou vantagens como flexibilidade, economia, valor estético e velocidade. O aumento da oferta de blocos estruturais de qualidade, a melhoria dos cálculos, capacidade de execução e controle,  empresas investindo em equipamentos e capacitação de mão de obra e o maior número de profissionais habilitados em decorrência de ofertas de cursos ao mercado são alguns avanços.

Entre os desafios que devem ser discutidos no encontro estão a dificuldade de adoção de normas técnicas, o melhor entendimento estrutural de prédios de grande altura e a pequena oferta de disciplinas específicas nos cursos de Engenharia.

Salto tecnológico
“Uma das grandes vantagens da alvenaria estrutural é a possibilidade de incorporar conceitos de racionalização, produtividade e qualidade, produzindo construções com bom desempenho tecnológico aliado a baixo custo”, explica Humberto Roman. Segundo ele, a visão no ambiente de acadêmico e de pesquisa é de que a construção civil (e não só a alvenaria estrutural, ressalta) dará mais um salto de qualidade quando for encarada de forma sistêmica. “Desde a etapa do projeto a construção deve ser encarada como um todo e o que se deve buscar é criar uma linha de montagem no canteiro de obras, à semelhança das linhas de montagem que existem em outros segmentos da indústria, como a de eletrodomésticos”, exemplifica.

Um dos requisitos, complementa, é o projeto de prédios modulados de acordo com a norma brasileira de coordenação modular, com componentes da construção também coordenados modularmente, projetados como partes de um sistema. “Isto proporcionaria que a construção fosse montada como um jogo de legos e as improvisações seriam eliminadas do canteiro de obras”, destaca o professor.
Agenda científica e técnica

Foram recebidos para a 15ª Conferência Internacional de Alvenaria Estrutural mais de 160 artigos técnicos de cerca de 30 países, que terão apresentações entre os dias 4 e 6 de junho. Além de conferências e apresentação de trabalhos, a agenda prevê palestras técnicas e minicursos internacionais sobre tópicos especiais em alvenaria.

Dia do Construtor

Para o domingo 3 de junho, está sendo organizado o Dia do Construtor. O pré-evento tem a finalidade de discutir de maneira prática a construção em alvenaria estrutural no Brasil e no mundo. Serão sessões técnico-científicas de pesquisadores e membros da indústria da construção. Durante todo o dia, palestrantes falarão sobre o uso de alvenaria estrutural no Brasil e no mundo, suas vantagens em relação a outros sistemas, custos e o que o setor produtivo deve levar em conta passar a utilizar alvenaria estrutural.

Organização
Estão à frente da organização a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com apoio da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de São Paulo (USP) e das instituições internacionais Universidade do Minho (Portugal), University of Calgary (Canadá) e University of Newcastle (Austrália). Entre outras instituições, o evento tem apoio da Finep, CNPq e Fapesc.

Mais informação no site http://www.15ibmac.com/home/, com os coordenadores do evento Humberto Roman (humberto@ecv.ufsc.br / 3721-7094) e Guilherme Aris Parsekian (parsekian.ufscar@gmail.com / (16) 3351-8262 Ramal: 241)

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