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IMPRENSA

10/06/2020IMPRENSA, Noticias, São Paulo

CEOs falam de suas expectativas pós-pandemia

Executivos do setor entendem que a retomada econômica exige investimentos em infraestrutura e na área habitacional

“O mercado de cimento antes, durante e depois da pandemia da Covid-19” foi o tema de um webinar realizado na manhã desta quarta-feira, 10/06, que reuniu três CEOs da indústria brasileira do cimento: José Eduardo Ferreira Ramos (Cimento Nacional, do grupo Brennand), Emmanouil Mitsou (Cimento Apodi) e Roberto de Oliveira (Cimento Mizu, do grupo Polimix). Durante uma hora, os executivos apresentaram a um público de 281 inscritos um panorama atual do setor e suas expectativas para a retomada da economia após a pandemia. O encontro foi moderado por Hermano Junior, diretor do Concrete Show, que promoveu o evento com apoio da ABCP e do SNIC.

A pandemia de Convid-19, deflagrada mundialmente a partir do início de 2020, foi apontada como o fator que levou o setor a interromper uma recuperação que vinha se esboçando desde o final de 2019, após quatro anos de queda. Se não chegou a recolocar o setor em números negativos, a crise sanitária gerou um momento de grande incerteza quanto ao futuro. 

Segundo Emmanouil Mitsou, a Cimento Apodi preparou um plano de emergência tão logo a pandemia foi anunciada no Brasil, na expectativa de uma grande queda no volume de negócios. Mas a queda esperada não aconteceu, ao menos por enquanto, e parte do bom desempenho do setor é creditado a sua própria organização. “Toda a indústria reagiu com muita eficiência e rapidez. E, por meio do SNIC, pudemos ainda contribuir com o enfrentamento da crise, aportando mais de 60 milhões de reais”, disse Mitsou. “Por várias circunstâncias, a construção civil não parou na maior parte do país e o mercado nos surpreendeu positivamente. Temos ainda o consumo formiga de cimento (varejo). Tudo isso acabou mantendo o consumo”, acrescentou Ferreira Ramos, da Cimento Nacional.

Em síntese, o setor tem conseguido manter o controle da situação, mas resta um grande ponto de interrogação para o futuro, principalmente pela provável queda na taxa de emprego e consequente diminuição do consumo. “O número de lançamentos habitacionais já caiu. Como avaliar o impacto dessa queda”, observou o presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna.

Perspectivas

Ferreira Ramos ponderou sobre o comportamento dos três pilares do consumo de cimento. Ele avalia que o segmento de varejo e autoconstrução ainda não foi afetado pela pandemia, talvez por causa da ajuda emergencial. “Não sentimos ainda o efeito do desemprego, que deve aumentar. Mas nessa frente ainda temos alguns meses e isso dependerá da própria economia.” Na construção industrializada, ele considera que o cenário com juros baixos é favorável, restando saber como agirá o terceiro grande bloco, que é o governo, responsável pelos investimentos em infraestrutura, sobre o qual ele disse esperar que “os planos se concretizem”.

Para Roberto de Oliveira, da Mizu, as reformas estruturantes que vêm ocorrendo no país favoreceram a retomada da construção civil e a atual taxa de juros estimula os investimentos e favorece o mercado imobiliário. Porém, essa condição apenas não basta para sustentar um futuro promissor e duradouro. “Por quantos anos queremos crescer? Nossa história está cheia de voos de galinha. Precisamos de reformas para dar segurança aos investidores. Considerando que o agronegócio é a base da economia brasileira, precisamos ter rodovias, portos e aeroportos para tornar o Brasil mais competitivo. As reformas estruturantes precisam ser implementadas para que o país possa crescer anualmente 3%, durante 50 anos”, defendeu.

Caminhos definidos

Todos concordam que a carência de infraestrutura – saneamento básico, rodovias, moradias – é enorme. “Essa pandemia escancarou as nossas diferenças sociais. Isso torna importante uma ação de governo para a produção de moradias e saneamento. E o cimento está relacionado à melhoria das condições de vida. Por isso, precisamos de regras estáveis, ordenamento jurídico. Isso é fundamental”, avalia Ferreira Ramos. Na opinião de Mitsou, os modelos de desenvolvimento existem e já foram aprovados em vários países. “Fazer a infraestrutura com base no capital privado é o que faz o planejamento a longo prazo. Aqui no Brasil isso tem que passar por um marco jurídico”, disse.

Se as condições para o crescimento sustentável dependem de reformas estruturais e organização por parte do governo, do ponto de vista da indústria o caminho já está indicado. A indústria formalizou, por meio do Roadmap Tecnológico do Cimento, todos os compromissos de melhoria assumidos nas áreas ambiental e energética. “E o coprocessamento é essencial nesta questão”, enfatizou Ferreira Ramos, lembrando a contribuição dada pela indústria no episódio de poluição das praias no Nordeste por óleo cru. “Precisamos de um projeto. Tecnologia nós temos. Temos a ABCP, com um acervo e uma quantidade enorme de informação, cursos, soluções para cidades, sistemas construtivos, enfim. Aliás, nossa associação é sensacional. Recomendo o site abcp.org.br.”

Roberto de Oliveira, da Mizu, foi enfático e sintetizou um pensamento comum aos dirigentes: “A gente sabe o que vai acontecer após a pandemia: vamos superar. Mas precisamos fazer as reformas para a retomada por um longo período. O Brasil precisa das reformas”.

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