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17/05/2021IMPRENSA, Noticias, São Paulo

Dia Internacional da Reciclagem

As ações da indústria brasileira do cimento em defesa da economia circular

 

“Precisamos dinamizar o coprocessamento de resíduos, uma prática disseminada em diversos países, que aumenta a competitividade do setor, está integrada à economia circular e à Indústria 4.0 e que promove a total recuperação energética.”

(Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e do SNIC)

 

Celebrado em 17 de maio, o Dia Internacional da Reciclagem foi instituído pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) para estimular, em todo o planeta, uma reflexão sobre o consumo consciente e a importância de dar um destino adequado aos resíduos urbanos. Como sabemos, o lixo – qualquer que seja sua natureza – tornou-se um problema ambiental, agravado pelo crescimento populacional e pela expansão da indústria.

A consequência alarmante desta situação é que, uma vez dispostos em aterros sanitários, os resíduos sólidos urbanos emitem gases de efeito estufa (GEE), principalmente o metano, e alguns materiais podem levar décadas para se decompor. Para combater essa situação, há mais de dez anos o Brasil conta com aLei nº 12.305/10, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Considerada um marco nesse tema, a PNRS trata de todos os resíduos sólidos (materiais que podem ser reciclados ou reaproveitados) e também de rejeitos (itens que não podem ser reaproveitados), incentivando o descarte correto de forma compartilhada.

 

Economia circular

A reciclagem é o processo que permite que os resíduos gerados pelo homem retornem à cadeia de valor, minimizando os impactos de seu descarte no ambiente. Esse processo implica na coleta, seleção e transformação do resíduo em nova matéria-prima ou novo produto, dando utilidade ao que seria desperdiçado – conceito conhecido como “economia circular”.

A economia circular traz diversos benefícios econômicos, ambientais e sociais, pois permite reduzir o consumo de matérias-primas e de energia na produção, diminuir a poluição do ar e da água, e minimizar a necessidade de tratamento convencional de lixo e a emissão de GEE. É um modelo que alia desenvolvimento econômico ao melhor uso de recursos naturais, sendo visto pela indústria brasileira como uma oportunidade que concilia o uso mais eficiente dos recursos naturais ao aumento da competitividade (Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022, CNI).

 

A indústria do cimento

A indústria do cimento, em especial a brasileira, tem uma grande contribuição a dar em relação à economia circular. Há anos o setor encontrou uma fonte alternativa de combustível para seus fornos, ao substituir o coque de petróleo pelo coprocessamento de resíduos na geração de energia. Hoje, cerca de 17% da energia utilizada pela indústria nacional provêm dos resíduos e a projeção é chegar a 55% até 2050.

Além de economia, a redução do consumo de combustíveis fósseis gera menos GEE. Este, aliás, é um dos compromissos do Roadmap Tecnológico do Cimento, lançado em 2019 pela indústria brasileira de cimento em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e a Corporação Financeira Internacional (IFC) – do Banco Mundial.

“O setor tem a meta de reduzir as emissões para 375 quilos de CO2 por tonelada de cimento até 2050, em linha com o Acordo de Paris”, declara Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e do SNIC. Para isso, é fundamental estender o uso de resíduos na geração de energia térmica e o setor procura apoiar o alinhamento de normas estaduais de licenciamento ambiental à Resolução 499 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), recentemente aprovada, que estabelece critérios para o coprocessamento de resíduos.

É importante destacar que a indústria brasileira do cimento já apresenta um dos menores índices de emissão específica de CO2 no mundo, graças a ações mitigadoras que vêm sendo implementadas pelo setor há décadas. Globalmente, a produção de cimento responde por cerca de 7% de todo o CO2equivalente emitido pela ação humana. Já no Brasil, a participação do setor nas emissões nacionais é de apenas 2,3%, cerca de um terço da média mundial.

 

Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos

Para impulsionar a captação de energia a partir de rejeitos depositados em aterros sanitários, quatro importantes entidades setoriais – ABCP (cimento portland), Abetre (tratamento de resíduos e efluentes), Abiogás (produção e aproveitamento do biogás) e Abrelpe (limpeza pública) –  lançaram em junho de 2020 a Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos (FBRER). E o primeiro ato da entidade, nesse sentido, foi firmar um acordo de cooperação com o Ministério do Meio Ambiente para recuperação energética de resíduos.

“Precisamos dinamizar o coprocessamento de resíduos, uma prática disseminada em diversos países, que aumenta a competitividade do setor, está integrada à economia circular e à Indústria 4.0 e que promove a total recuperação energética”, diz Paulo Camillo. “Além disso, a utilização do resíduo doméstico como fonte de energia contribuirá para a erradicação dos lixões, presentes em mais de 3 mil municípios brasileiros, e contribuirá para o aumento da vida útil de aterros sanitários”, acrescenta.

O significado do símbolo da reciclagem

 

O símbolo original da reciclagem, composto por três setas planas em preto e branco que se curvam, foi inspirado na figura da fita de Möbius, que traz a ideia de infinito ou ciclo sem fim, um conceito muito próximo da ideia de reciclagem e de certo modo também da economia circular. A fita de Möbius é uma superfície com apenas um lado e por isso tem a propriedade matemática de ser inorientável.

Fonte: www.ecycle.com.br

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