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15/07/2021IMPRENSA, Minas Gerais, Noticias

Programa Lixão Zero em MG pode contar com coprocessamento de resíduos

Solução foi debatida em encontro da indústria de cimento com consórcios intermunicipais que concorrem ao crédito de 100 milhões de reais do MMA

Os esforços visando a erradicação dos lixões e o fortalecimento da economia circular no país ganharam na manhã desta quinta-feira, 15/07, mais um suporte, desta vez envolvendo a indústria de cimento e consórcios públicos intermunicipais do Estado de Minas Gerais. Com a presença de aproximadamente 40 participantes, dos quais 8 painelistas e 28 dirigentes de consórcios mineiros convidados, a ABCP promoveu o webinar “Destinação Sustentável para os Resíduos Sólidos Urbanos – Tecnologia de Coprocessamento”, evento referenciado no edital de chamada pública elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, cujo objetivo é a seleção de projetos para a melhoria da gestão de resíduos sólidos no Estado de Minas.

Os recursos anunciados no edital, disponibilizados pelo programa Lixão Zero, somam 100 milhões de reais e o prazo para apresentação de projetos se encerra no final do mês. Os consórcios contemplados terão o compromisso de operar as usinas de triagem e a responsabilidade de encerrar os lixões nos municípios beneficiados pelo projeto. Dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente apontam que Minas tem, hoje, 406 municípios (33% da população) que integram um ou mais consórcios públicos intermunicipais atuantes na gestão de resíduos sólidos. Foram convidados ao evento ao menos seis consórcios cujos territórios possuem fábricas de cimento: CIGEDAS, CISREC, CISAB, CODANORTE, CONSANE e CORESAB. 

Trabalho conjunto

O evento foi aberto e conduzido por Mário William Ésper, diretor de Relações Institucionais da ABCP, que destacou o “intenso trabalho junto aos órgãos de governo no sentido de colaborar para a destinação adequada dos resíduos sólidos urbanos”. Ele lembrou que 25% de todo o cimento consumido no Brasil provém de Minas Gerais, o que já representa um grande parque consumidor de CDRU (Combustível Derivado de Resíduo Urbano). “A indústria utiliza o coque de petróleo para produzir o cimento. Diante das várias ações da indústria para mitigar a emissão de gases de efeito estufa, uma das medidas é utilizar combustíveis alternativos. O objetivo da ABCP é formar uma parceria com os consórcios presentes para enfrentar esse desafio”, enfatizou Mário William.

Daniel Mattos, diretor de Coprocessamento da ABCP, destaca que a apresentação da tecnologia do coprocessamento aos consórcios convidados está em linha com o edital e o programa, pois pode contribuir para a melhoria do gerenciamento de resíduos sólidos urbanos na região. O governo pretende que o recurso seja utilizado na construção de unidades de tratamento de resíduos em três categorias: reciclável, orgânicos e CDRU – este utilizado pela indústria em substituição a combustíveis fósseis, como o coque de petróleo. “Esta é uma oportunidade para a implantação de instalações de reciclagem e requalificação de lixo urbano, colaborando para a erradicação dos lixões”, explica Daniel. Em sua explanação, ele lembrou que o Brasil gera 79,1 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU) por ano, sendo que 45% desse volume têm disposição inadequada. Em contrapartida, Minas gera anualmente 1,6 milhão de toneladas de CDRU (resíduos não recicláveis) por ano, o que pode ser aproveitado pelas 13 plantas industriais integradas do Estado.

O encontro contou também com uma apresentação de Juliano Menezes, gerente da Geocycle, empresa do grupo LafargeHolcim, sobre “Planta de triagem / CDRU – Etapas do processo e cases de sucesso”, oportunidade em que o executivo mostrou o exemplo bem-sucedido de uma instalação industrial do grupo na Costa Rica. Ao lado de Menezes, a indústria esteve representada por três diretores da indústria de cimento com unidades produtoras em Minas Gerais: Cristiano Ferreira (Intercement), Francisco Chaves Jr (Votorantim) e Pedro Carvalho (Cimento Nacional). Ao término das apresentações, todos interagiram com representantes dos consórcios para sanar dúvidas e reforçar potenciais parcerias.

O coprocessamento é um forte aliado da economia circular. Por meio dessa tecnologia, os resíduos industriais, agrícolas e sólidos urbanos podem ser reinseridos na cadeia produtiva, em substituição aos combustíveis fósseis. Além disso, ocorre uma substituição de matérias-primas e o que não é convertido em energia é incorporado ao clínquer. A solução traz inúmeras vantagens, como: preservação de recursos naturais e matérias-primas, redução de gases de efeito estufa, geração de empregos, erradicação dos lixões, melhoria da saúde pública, inclusive com economia de gastos nessa área, e aumento da vida útil dos aterros sanitários.

 

 

> Assista a apresentação no canal da ABCP no YouTube

 

 
 

Mário William (ABCP)

Daniel Mattos (ABCP)

Juliano Menezes (Geocycle – LafargeHolcim)

Cristiano Ferreira (InterCement)

Pedro Carvalho (Cimento Nacional)

Francisco Chaves (Votorantim)

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