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04/11/2026Norte/Nordeste, Noticias

Rede MORE chega ao Ceará para investigar bem-estar e sustentabilidade nas moradias

Dezenas de milhões de brasileiros vivem em moradias autogeridas, construídas sem assistência técnica, muitas vezes em áreas improvisadas. Que conforto essas casas oferecem no dia a dia? Durante as ondas de calor, cada vez mais frequentes em razão das mudanças climáticas, elas podem colocar em risco a saúde e o bem-estar dos moradores? Quais são os riscos de inundação ou deslizamento de encostas? E, principalmente, o que pode ser feito para melhorar as condições de vida e aumentar a resiliência dessas habitações diante de eventos extremos?

Essas são algumas das questões investigadas pela Rede MORE – Bem-Estar e Baixo Carbono nas Moradias, financiada pelo hubIC e pela CAIXA. Com o uso de ferramentas digitais avançadas, como imagens espaciais e inteligência artificial (IA), a iniciativa desenvolve métodos simples, confiáveis e de baixo custo, com potencial de aplicação em larga escala. No dia 4 de novembro, a Universidade Federal do Ceará (UFC) passa a integrar a Rede MORE, levando a metodologia ao Parque Potira, em Caucaia-CE.

 

MDI

A Rede MORE desenvolveu o Modelo de Diagnóstico Integrado (MDI), metodologia baseada em ferramentas digitais que produz informações quantitativas sobre as características construtivas das moradias autogeridas, o bem-estar dos moradores e os riscos aos quais estão expostos. A partir da elaboração de plantas das habitações, é possível estimar o consumo de materiais e as emissões de CO₂ incorporadas à construção. Sensores digitais de baixo custo, conectados à nuvem, monitoram as condições ambientais das moradias e permitem avaliar objetivamente o conforto dos moradores ao longo de 24 horas, além de simular o desempenho das edificações durante ondas de calor.

Esses dados técnicos são combinados às percepções dos próprios moradores, permitindo compreender os desafios da construção autogerida e identificar oportunidades de melhoria. Em sua versão final, a ferramenta também analisará o entorno das habitações e permitirá estimar riscos de inundação.

“Um dos grandes desafios da construção habitacional diante das mudanças climáticas é compreender como melhorar o bem-estar e a segurança dos moradores e reduzir a pegada de carbono da construção e da reforma. Sem essa compreensão, não é possível desenvolver novas soluções construtivas que conciliem menor impacto ambiental, segurança, desempenho e qualidade de vida a baixo custo. A Rede MORE busca produzir conhecimento técnico que ajude a orientar essa transformação”, afirma Vanderley John, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e coordenador da Rede MORE.

Na etapa exploratória, realizada na comunidade São Remo, na zona Oeste de São Paulo, os pesquisadores avaliaram 39 moradias com as ferramentas digitais da Rede MORE. Os resultados apontaram problemas como temperaturas elevadas durante a noite, que prejudicam o sono; ventilação insuficiente, associada a altas concentrações de CO₂; e umidade elevada, que favorece o aparecimento de mofo. As condições identificadas indicam a necessidade de melhorias para promover ambientes mais saudáveis.

O levantamento combinou visitas presenciais, entrevistas com moradores, instalação de sensores para monitoramento ambiental e análise da geometria das construções. Para isso, foram utilizadas imagens de satélite e dados de sobrevoos com tecnologia LiDAR, posteriormente processados com o auxílio de inteligência artificial. A abordagem permite relacionar as características físicas das edificações, as práticas construtivas e as experiências dos habitantes aos impactos ambientais e às condições de bem-estar.

 

Expansão territorial

A chegada ao Ceará marca a primeira expansão territorial da Rede MORE. Sob a liderança da Universidade Federal do Ceará (UFC), a aplicação da metodologia no Parque Potira permitirá produzir um conhecimento detalhado sobre o território e as características das moradias locais. Ao mesmo tempo, os resultados contribuirão para aperfeiçoar o MDI e adaptá-lo a diferentes realidades habitacionais. A iniciativa busca, assim, ampliar a produção de conhecimento e desenvolver recomendações técnicas voltadas à melhoria das condições de moradia, à redução das emissões de carbono e à adoção de soluções mais sustentáveis.

“A expansão da Rede MORE para o Ceará, em parceria com a Universidade Federal do Ceará, representa um passo importante para multiplicar o conhecimento desenvolvido e compreender diferentes realidades habitacionais. Mas o desafio vai além do diagnóstico: precisamos mobilizar universidades, indústria, profissionais e comunidades para construir uma cadeia de inovação capaz de transformar esse conhecimento em soluções acessíveis, sustentáveis e adequadas às necessidades da construção autogerida”, destaca Valter Frigieri, diretor de Planejamento e Mercado da ABCP e coordenador da Rede MORE.

Criada em 2023, a Rede MORE é coordenada pelo hubIC – Hub Brasileiro de Inovação da Construção, iniciativa da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). O projeto conta com patrocínio da CAIXA e reúne pesquisadores de universidades brasileiras e profissionais de diferentes áreas.

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