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13/05/2026PORTAL, Posts ABCP-SNIC (pt-en-es), IMPRENSA, Noticias, São Paulo

Setor de cimento projeta desafios e defende investimentos em infraestrutura na coletiva da Coalizão Indústria

O presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Paulo Camillo Penna, apresentou nesta terça-feira (12) um panorama detalhado sobre os desafios e as perspectivas do setor cimenteiro durante a coletiva de imprensa da Coalizão Indústria. O evento reuniu lideranças dos principais segmentos produtivos do país para debater o cenário econômico nacional.

Paulo Camillo destacou que a indústria do cimento atua em ciclos longos e que, após a construção de quase 40 novas fábricas, entre integradas e moagens, entre 2006 e 2015, o setor hoje opera com uma capacidade ociosa de quase 40%. Atualmente, o Brasil consome 67 milhões de toneladas de cimento, enquanto a capacidade instalada de produção é de 109 milhões de toneladas.

Capacidade produtiva e cenário de mercado

O executivo explicou que dois terços do cimento brasileiro são consumidos em sacos — o que reflete o consumo artesanal ou a autoconstrução. Esse segmento vem apresentando desaceleração, impactado diretamente pelas altas taxas de juros e pela alta inadimplência, que limitam a capacidade de consumo da população.

Apesar desses desafios, a indústria segue direcionando seus novos investimentos para o aumento de eficiência, competitividade e, sobretudo, para a descarbonização do setor. Para alavancar esses investimentos sustentáveis, o executivo ressaltou a importância de instrumentos de incentivo, como a medida de depreciação acelerada, que vigorou até o final do ano passado. O setor tem grande expectativa pelo envio de uma nova proposta governamental ao Congresso Nacional para reativar esse importante estímulo.

Déficit de infraestrutura

O cimento é um termômetro essencial (antecedente) da atividade econômica. Existe o alerta de que, após um crescimento de 3,5% no ano passado, a projeção para este ano é de apenas 1,8% — uma queda pela metade —, com expectativas ainda menores para o próximo ano.

Foi reforçado, durante a coletiva, que os níveis atuais de financiamento e investimento são insuficientes diante das necessidades crônicas de infraestrutura do Brasil. Para ilustrar a urgência, o presidente lembrou de gargalos severos no país: apenas 12% das estradas são pavimentadas, o déficit habitacional atinge 5,7 milhões de moradias e menos de 50% das casas possuem acesso a esgoto tratado.

“O Brasil precisa de muito mais investimento, durante muito mais tempo, para suprir a demanda mínima da nossa população”, concluiu.

Sobre a Coalizão Indústria

A Coalizão Indústria é um grupo representativo coordenado por Marco Polo de Melo Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil. Esta coalizão atua para unir diferentes forças do setor produtivo e debater os rumos, necessidades e desafios da indústria nacional, reunindo em suas agendas e coletivas de imprensa líderes de importantes entidades setoriais, como a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq).

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