Vendas de cimento registram alta de 9,1% em março
A indústria brasileira de cimento registrou no primeiro trimestre a venda de 15,9 milhões de toneladas, o que representa uma alta de 1,8% em comparação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Em março, a comercialização atingiu 5,8 milhões de toneladas, aumento de 9,1% sobre o mesmo mês de 2025, atingindo recorde para o período de 5,79 milhões de toneladas.
O desempenho positivo é reflexo de um mercado de trabalho com a menor taxa de desemprego para fevereiro na série histórica (5,8%) e uma massa salarial fortalecida. Esse cenário é reforçado pelo aquecimento do mercado imobiliário e o impacto do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que já responde por 52% dos novos empreendimentos no país. Segundo dados da Fundação João Pinheiro, a retomada do MCMV contribuiu para que o déficit habitacional brasileiro atingisse seu menor patamar histórico ao final de 2024.
Contudo, a indústria mantém o alerta sobre desafios estruturais. O setor acompanha com cautela a taxa Selic (que baixou para 14,75%, mas continua alta) e os recordes de inadimplência. Soma-se a isso um novo fenômeno: o desvio de recursos das famílias para apostas on-line (“bets”), que historicamente seriam destinados à autoconstrução e pequenas reformas. Além disso, a escassez de mão de obra e as incertezas internacionais seguem no radar.
No contexto global, a guerra entre Estados Unidos e Irã gera instabilidade nos preços do petróleo, impactando diretamente os custos de produção e logística, especialmente o frete rodoviário e o coque de petróleo. Diante dessa volatilidade, o coprocessamento torna-se uma opção ainda mais importante para a diversificação da matriz energética. No Brasil, o uso de biomassas e resíduos já alcança 30% de substituição térmica, tendo evitado a emissão de 2,8 milhões de toneladas de CO₂ no último ano.
O setor também avança nas metas do Roadmap Net Zero 2050 e colabora com o Ministério da Fazenda na regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Segundo Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC, “apesar de um início de ano resiliente, a projeção para 2026 é de crescimento moderado. O desempenho dependerá da inflação, juros e fatores externos vinculados aos conflitos internacionais. Iniciativas como a alteração da jornada de trabalho e o tabelamento do frete sem aprofundamento técnico também afetam a estabilidade e a retomada do crescimento da indústria”.



