Cimento: vendas crescem 2,2% em abril
As vendas de cimento em abril de 2026 totalizaram 5,4 milhões de toneladas, registrando uma alta de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). No acumulado do primeiro quadrimestre, o setor apresentou um crescimento de 1,9% frente ao ano passado. Já o volume de vendas de cimento por dia útil registrou 243,4 mil toneladas, alta de 0,9% em comparação ao mês de março e de 2,2% ante o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano (jan-abril), o desempenho registra crescimento de 1,9%.
O cenário é impulsionado por um mercado de trabalho resiliente, com a massa salarial em nível histórico e taxa de desemprego em 6,1%. O mercado imobiliário segue como motor do setor, com as unidades financiadas saltando 149% até março. O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) responde por 52% dos lançamentos e recebeu um novo aporte de R$ 20 bilhões do Pré-sal, elevando a meta para 3 milhões de moradias até o fim do ano. Além disso, o limite para o programa de reformas subiu para R$ 50 mil, ampliando o crédito para famílias com renda de até R$ 13 mil.
Contudo, o ambiente macroeconômico inspira cautela, com recuo na confiança da construção e da indústria em abril. O setor monitora com atenção o endividamento recorde da população, que compromete quase 50% da renda, e o impacto das apostas onf-line (“bets”), que drenaram R$ 143,8 bilhões do comércio nos últimos dois anos — recursos que antes eram destinados à construção e reforma. Há também apreensão com o “Novo Desenrola”, que prevê o uso de recursos do FGTS para quitar dívidas, comprometendo o principal funding do crédito habitacional.
No contexto global, o conflito no Oriente Médio trouxe pessimismo aos indicadores. A instabilidade elevou as expectativas de inflação e da taxa Selic, agora projetada em 13% para o fim do ano. O impacto é direto nos custos de produção: o coque de petróleo, insumo importado que representa 40% do custo, sofreu reajustes severos, somados à alta nos preços de componentes, como explosivos, aditivos e frete marítimo. No mercado interno, a pressão persiste com o óleo diesel e o frete rodoviário, responsável por 90% da distribuição nacional.



