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14/04/2026PORTAL, IMPRENSA

A volatilidade global do petróleo e a resiliência da indústria do cimento: a força da transição energética

O atual cenário geopolítico tem gerado instabilidade nos mercados globais de energia. O primeiro trimestre de 2026 fechou com alta de 1,8% nas vendas de cimento e o mês de março registrou a maior comercialização da história da indústria (5,8 milhões de toneladas, alta de 9,1%). Entretanto, o otimismo é confrontado pelo atual conflito no Oriente Médio, que desestabilizou os mercados de energia, afetando diretamente as cotações de petróleo e gás natural.

Para a indústria nacional, o reflexo é imediato e severo. Cerca de 80% do coque de petróleo utilizado nos fornos é importado, e o insumo responde por quase um terço do custo de energia das fábricas. Somado a isso, a alta de 30% no preço do óleo diesel encarece o frete em um setor onde 90% do escoamento é rodoviário.

No cenário internacional, o conflito no Oriente Médio traz volatilidade no curto prazo e amplia o ambiente de incerteza nos mercados globais, o que pode representar desafios futuros para setores intensivos em energia.

Em contraposição ao viés de crise, este momento evidencia como a indústria cimenteira nacional vem construindo alternativas sólidas para mitigar esses impactos e manter sua competitividade. Nesse contexto, o coprocessamento ganha ainda mais relevância ao contribuir para a diversificação da matriz energética do setor, ampliando a previsibilidade no suprimento energético e promovendo simultaneamente a redução de emissões. No Brasil, essa tecnologia já alcança cerca de 30% de substituição térmica, tendo evitado a emissão de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de CO₂ no último ano.

O coprocessamento permite a substituição inteligente de combustíveis fósseis por materiais que, de outra forma, seriam um passivo ambiental e de saúde pública. Entre as principais alternativas adotadas pela indústria, destaca-se o coprocessamento de biomassa e de Combustível Derivado de Resíduos Urbanos (CDRU). O setor tem o compromisso de investir R$ 3,5 bilhões até 2030 para a adequação das fábricas e unidades de preparo, com o objetivo de processar anualmente cerca de 2,5 milhões de toneladas de resíduos urbanos, o equivalente a 300 mil caminhões de lixo, que deixarão de ser descartados de maneira inadequada.

O desempenho de 2026 dependerá da duração dos reflexos externos e de aspectos internos, como a taxa de juros e o controle do frete. A robusta diversificação da matriz energética, pilar central do Roadmap Net Zero 2050 do setor, se mostra como a melhor rota para reduzir a exposição à volatilidade do mercado internacional. Ao trocar o coque de petróleo por fontes limpas, o setor busca estabilidade financeira ao mesmo tempo em que exerce sua liderança na reindustrialização do país sob uma economia de baixo carbono.

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